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Pai-helicóptero: Você é um?

17 de agosto de 2017

Cada pai escolhe como criar seu filho, de acordo com suas experiências, seu meio e suas condições emocionais, financeiras e estruturais. São muitos os aspectos relevantes e não é saudável julgarmos uns aos outros, mas é importante alertar para alguns itens que podem desencadear problemas posteriores, contexto este, que é difícil ver quando se está dentro da situação. E um desses aspectos é se tornar um pai-helicóptero.

Esse termo é dado a todo aquele que protege além do necessário. Àqueles que sobrevoam a vida dos filhos em qualquer momento, seja ele com 05 ou 25 anos. A idade é irrelevante.

Mas como saber quando se está além?



A natureza comum da pessoa que se torna mãe e pai é a de proteger, guiar, amar e, muitas vezes, fazer o impossível para que seu filho tenha sucesso e não se machuque. Afinal, que pai gosta de saber que seu filho está triste e decepcionado? É impossível não querer se colocar à frente das situações dele e resolver à sua maneira.

Essa é a pior atitude que se pode ter em relação a ele.

Mas por que exatamente? Primeiro, pais-helicópteros não são pais que apenas protegem e amam. São aqueles que vão além disso, que envolvem o filho em uma bolha e caminham junto deles, que fazem coisas o tempo inteiro no lugar deles e querem que seus filhos não enfrentem os problemas, e então, os pais-helicópteros costumam enfrentá-los por eles.

Um relacionamento que você não tenha a liberdade de seguir sozinho, tentando, errando, aprendendo, levantando, tende a sufocar com o tempo e criar mais problemas do que soluções.

A dificuldade ficará por conta de sua criança resolver relações (sozinha) na escola, ou se organizar nos estudos, ou ter independência para criar seus próprios pensamentos (que não machuquem a dedicação de seus pais), ou quando começa aquela busca inicial pela carreira certa. No final, isso pode ser crucial em afetar negativamente a vida no trabalho, inclusive.

Quando os pais tomam a frente do caminho que os filhos devem percorrer, não estão guiando ou mostrando amor a eles. Pode parecer que está tudo bem quando criança, mesmo já tendo sinais de que há algo errado acontecendo. E só piora com o tempo. O controle vai parecer não existir mais.

Guiar é mostrar os caminhos, alertar para consequências, colocar à mesa suas experiências. Assim, você estará compartilhando sua vida, mas deixando-os escolherem o que melhor se encaixa nas experiências que eles próprios estão vivenciando, e mais, buscando, que pode ser diferente do que você quis algum dia. Uma pessoa que é guiada vai criando autonomia para pensar por si, e não através do olhar e experiências que não são deles.

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Além disso, é com os próprios erros e enfrentamentos que se evolui e se aprende o sentido nas nossas ações. Mas quando as ações e preocupações não são exatamente da pessoa, e sempre vêm com uma ajudinha amorosa, há um atraso em todos esses quesitos, tornando suas atitudes infantis prolongadas. Afinal, é fácil se acostumar com a asa protetora que o envolve desde pequeno, não é?

Os pais não fazem nada por mal, mas uma ação que parece ser boa no presente, pode se tornar um grande problema no futuro, se o adulto não pensar o que todo esse carinho excessivo gera. A questão é que ninguém pode proteger um filho para sempre, e é bom procurar conselhos de como lidar com certas situações com eles para quebrar o pensamento de que “é necessário protegê-lo das situações que eu já vivi e me machuquei”. Ele precisa se machucar também, pois esse tipo de situação não serve só para derrubá-lo, mas engrandecê-lo em relação às suas percepções e experiências. Faz parte de qualquer ser humano.

Umas das piores coisas que isso tudo pode gerar é prejudicar a vida profissional e amorosa do seu filho, podendo chegar a uma depressão ou transtorno de ansiedade por não ter equilíbrio para resolver situações, aceitar críticas e possibilitar percepções claras e rápidas, além de sentir o peso da “prisão” emocional que possui com os pais, que pode até ir além do emocional.

Todos precisam de liberdade e sentir a necessidade de aprender com a vida. A questão é essa. Precisamos, enquanto seres humanos, sermos guiados, mas sabendo que aprendemos sozinhos.

 

Fontes: Guia Infantil | Huff Post

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